Irmão de Silval assume propina em lacres e aponta Mauro Savi como “dono” do Detran-MT
29/08/2017 - 7h28 em Estadual

Folha Max/Diego Frederici

O deputado estadual Mauro Savi (PSB) comandava os esquemas de propina do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT) entre 2010 e 2011, nos primeiros anos da gestão Silval Barbosa (PMDB). A informação consta do acordo de colaboração premiada feito pelo ex-governador à Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux.

O valor total dos desvios não é conhecido, porém, pagamentos ilícitos de até R$ 500 mil, em dinheiro, eram repassados a políticos. De acordo com o depoimento, um acordo político ainda da gestão Blairo Maggi (PP) – que governou Mato Grosso entre 2003 e 2010 -, concedia ao Partido da República (PR) o direito de indicar o comandante do Detran-MT.

Na época, o deputado estadual Mauro Savi (PSB), que pertencia a sigla partidária, escolhia o presidente do órgão. “No caso do Detran havia um acordo político desde o Governo Blairo Maggi, sendo que a indicação para comandar o Detran era efetuada pelo PR, através do deputado estadual Mauro Savi. No governo do colaborador, o deputado Mauro Savi era quem comandava o Detran, inclusive sendo ele a pessoa responsável pela nomeação do Presidente do Detran”, diz trecho da colaboração premiada.

Silval Barbosa diz ainda que não sabia como o esquema funcionava, mas afirmou que seu irmão, Antônio Barbosa, tinha “conhecimento de alguns contratos com retorno ocorridos no Detran durante a gestão do colaborador”. “Retorno”, como Silval se refere, são os pagamentos realizados a título de propina.

LACRE

O irmão do ex-governador, o empresário Antônio Barbosa, também firmou acordo de colaboração premiada com a PGR. Ele disse em seu depoimento que um dos esquemas operados por Mauro Savi referia-se aO “lacre” do Detran – como aqueles colocados nas placas dos veículos. Antônio afirmou que foi procurado por um servidor “de alto escalão, que trabalhava na Casa Civil do Governo Silval”, em 2011, para relatar o esquema do deputado estadual. “Aproximadamente no ano 2011 foi procurado em seu escritório por um servidor de alto escalão, que trabalhava na Casa Civil do Governo Silval. Na ocasião, lhe foi relatado que existiria um esquema de retomo ilícito de valores relacionados à empresa que gerenciava o sistema de lacre do Detran para o deputado Mauro Savi, que se utilizava de uma empresa de consultoria para receber tais valores”, diz trecho da colaboração de Antônio Barbosa.

Segundo o irmão do ex-governador, o representante da Casa Civil perguntou se parte dos valores arrecadados ilegalmente por Mauro Savi eram repassados a Silval Barbosa, uma vez que o próprio deputado estadual afirmava que o dinheiro tinha esse fim específico. Antônio Barbosa narra que perguntou ao ex-governador se ele recebia recursos de propinas do Detran.

O ex-chefe do executivo respondeu que “não” e determinou ao seu irmão que recebesse diretamente os valores e repassasse a parte de Mauro Savi ao parlamentar. Segundo ele, em torno de R$ 210 mil, referente a esse esquema, teriam sido pagos. “Na mesma assentada, foi indagado ao colaborador Antonio Barbosa se Mauro Savi repassava tais valores a alguém ligado a Silval Barbosa, pois segundo o servidor, Mauro Savi a todo tempo dizia que repassava parte da propina que recebia ao Governador Silval Barbosa, deixando claro ali que se não existisse repasse o mesmo poderia começar a ser feito diretamente a Silval. Foi aí que Antonio Barbosa indagou ao seu irmão sobre a ocorrência de tais fatos, tendo Silval respondido que ninguém estava repassando nada. A partir daí, Silval determinou que seu irmão passasse a receber os valores oferecidos e encaminhasse a parte que cabia a Mauro Savi. O colaborador Antonio Barbosa chegou a receber umas duas ou três vezes repasses em dinheiro em espécie. Os valores recebidos foram de um total aproximado de R$ 210.000,00”, diz trecho da colaboração de Antônio Barbosa.

O irmão do ex-governador segue dizendo que, após um período, um representante da empresa que realizava os serviços de lacre pagava diretamente a propina e que os pagamentos giravam em torno de R$ 400 mil a R$ 500 mil, “sempre em espécie”. Mauro Savi ficava com metade desses pagamentos. “Após determinado período, foi procurado por um dos sócios da citada empresa de lacre, sendo que a partir dali os repasses passaram a ser feitos diretamente por um representante da empresa, sempre em espécie. Os repasses feitos diretamente pela empresa giraram em tomo de R$ 400 a R$ 500 mil reais, dos quais a metade era repassada pelo colaborador Antonio ao deputado Mauro Savi, diretamente a ele, em espécie”.

OUTRO LADO

Por meio de nota, o deputado estadual Mauro Savi alega que, apesar de ter seu nome citado nas delações de Silval e Antônio Barbosa, não está na lista de investigados da Procuradoria Geral da República (PGR). “O parlamentar lembra que a citação quanto a seu nome não possui nenhuma prova, tratando de informações prestadas em termo de colaboração premiada”, diz o deputado que se coloca a disposição das autoridades para prestar todo e qualquer esclarecimento.

NOTA PÚBLICA

O deputado estadual Mauro Savi esclarece que não está na lista de investigados do procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, sobre possíveis casos de corrupção em Mato Grosso, denunciadas a partir das declarações do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

O parlamentar lembra que a citação quanto a seu nome não possui nenhuma prova, tratando de informações prestadas em termo de colaboração premiada. 

O deputado se coloca a disposição da justiça para qualquer esclarecimento.

 

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